sábado, 21 de março de 2009

Banda Black Sonora reúne convidados em tributo a Tim Maia





A Black Sonora promove a sétima edição do Tributo ao Racional Tim Maia amanhã, no Lapa Multshow. Já tradicional, a festa promovida pelo grupo mineiro relembra repertório decisivo na trajetória do “síndico”, que continua inspirando a música negra produzida no Brasil. Destacada como uma das revelações do gênero, a banda reúne Gustavo Negreiros (voz e guitarra), Rubén Cubanito Santillana (voz e percussão), Luiz Prestes (baixo), Ronan Teixeira (bateria), Helton Rezende (guitarra), Bruno Lima (percussão) e DJ Yuga (samples e percussão), que, neste show, recebem no palco outros talentos desta geração. Entre eles estão o rapper Renegado, o MC Gurila Mangani, a cantora Marina Machado, o violonista e cantor Pedro Morais, o naipe de metais de Brasilino, Emiliano, Gilberto e Rafael, e os DJs Anônimo e Spyder. O time, reforçado, promete encontro de bambas que defendem mistura de ritmos e referências para releitura de uma época.
Gustavo Negreiros adianta que a festa dá continuidade ao conteúdo das primeiras edições. Eles interpretam boa parte da fase Racional de Tim Maia, incluindo músicas que não estão nos dois discos oficiais do movimento. Guiné Bissau, Moçambique e Angola, Que beleza, Quer queira, quer não queira e Ela partiu estão entre os sucessos que precisam constar no set list de todas as festas. “Elas são as mais conhecidas e as mais importantes também. Têm muita força, foram regravadas várias vezes e têm muito a dizer sobre a cultura racional”, lembra o guitarrista.
Para Negreiros, foi no fim da década de 1990 que a música dos anos de 1970 retornou à cena, renovada por interpretações diferentes, mas confirmando sua importância original. “Todo mundo começou a correr atrás dos vinis, que ficaram caríssimos, e das opções populares, oferecidas no mercado paralelo da pirataria. O interesse pela música negra brasileira está no contexto de Tim Maia, que será sempre uma das principais referências”, comenta. Por pouco tempo, ele observa, esse repertório ficou distante dos novos compositores.
DESABAFO
Não apenas o groove, mas o apelo emocional das canções tem sentido de universalidade. As questões existenciais apontadas por este repertório tocam a juventude, em qualquer época. A atmosfera de entrega também estimula público e intérpretes, na avaliação de Gustavo Negreiros. “Tim Maia faz um desabafo muito verdadeiro. Ele se entrega quando questiona quem somos e para onde vamos, e isso é algo que diz respeito a todo mundo”, observa.
O grupo, fundado em 2002, chegou a atual formação dois anos depois, em 11 de setembro de 2004, quando realizou o primeiro tributo. O encontro inspirou trabalho autoral e as afinidades estéticas fizeram com que os sete músicos apostassem no conjunto. Negreiros reconhece que existem dificuldades em conciliar interesses e preferência numa banda tão numerosa, mas acredita no processo democrático como melhor caminho para evitar conflitos. “Estamos muito focados no trabalho da Black Sonora e isso nos faz lidar bem com as diferenças, tentando entender a forma de cada um pensar na música. Só assim podemos tornar o dia-a-dia mais produtivo”. Na banda, vários atuam como letristas, compositores e arranjadores, além da execução dos instrumentos. A colaboração no processo criativo, argumenta Negreiros, faz com que todos se sintam com a mesma importância no grupo.
A Black Sonora, que acaba de retornar do Rio de Janeiro, onde participou de festival do Cine Lapa, realizou show semana passada no Duelo de MC’s, no Centro de Belo Horizonte, e se prepara para seletiva do Conexão Vivo, em Campinas. Eles foram selecionados entre mais de 2 mil bandas inscritas e disputam vaga na final para circular pelo país. O grupo também tem confirmado novo show na capital carioca, em abril, onde participa da final do festival Plugado.
ENCONTRO DE MOVIMENTOS
Gustavo Negreiros indica que a cena black em Belo Horizonte passa por momento de efervescência. Novas casas, aos poucos, aderem ao movimentos e surgem artistas e bandas que se dedicam ao gênero. Sem falar em personagens que já se tornaram referência na cidade, caso do DJ A Coisa, que realiza bailes regularmente no Matriz; do Baile da Saudade, em Venda Nova, que aos poucos ganha público jovem, e do movimento Black Soul, que se apresenta em festas do Quarteirão do Soul e em centros culturais.
O músico também lembra o encontro salutar com o rap, novidade que acrescenta aos dois estilos. A experiência, semana passada, no Duelo de MCs, promovido pela Família de Rua, surpreendeu o público e incrementou a batalha de freestyle. “Para os mestres de cerimônias (MCs), foi outra empolgação fazer o confronto de ideias acompanhados por banda. Eles gostaram do resultado das bases feitas com inspiração na black music. Para nós, foi interessante ver como as rimas surgem”, comenta.
Para ele, é cada vez mais evidente o encontro entre movimentos que têm a mesma origem. “Lidamos com elementos que podem ser incorporados”, diz. Além dos convidados com que a Black Sonora divide palco amanhã, Negreiros lembra músicos como Deco Lima e o grupo Poizé como responsáveis pela renovação da música negra no estado.
BLACK SONORA
Sábado, às 22h, no Lapa Multshow, Rua Álvares Maciel, 312, Santa Efigênia, (31) 3241-2074. Ingressos: R$ 20 (antecipado) e R$ 30 (inteira).

Materia feita por Janaina Cunha Melo para o Jornal Estado de Minas de 20/03/09 (Caderno Divirta-se)

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